Por Pallmer Barros (Ascom UPAs)
Paralelo ao atendimento de urgência e emergência ofertado pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Jurunas, administrada pela Associação de Saúde, Esporte, Lazer e Cultura (ASELC), em Belém, as ações de Humanização vêm fortalecendo o ambiente assistencial, transformando-o em um espaço de acolhimento, escuta e cuidado integral para pacientes em observação prolongada que inclui os acompanhantes.
Como parte da “II Jornada de Humanização”, tendo o tema “No Centro do Cuidado: A Pessoa”, o Grupo de Trabalho de Humanização (GTH), em parceria com o Serviço de Nutrição e Dietética (SND), promoveu na manhã desta sexta-feira (19), atividade à beira-leito intitulada “Memórias que Alimentam”, que envolveu pacientes e acompanhantes nos Postos de Observação feminino e masculino.
“A ação teve como objetivo promover um resgate afetivo alimentar, reforçando que a alimentação vai muito além dos nutrientes. Os alimentos carregam histórias, afeto, cuidado, cultura, amor e conexões que fazem parte da construção da identidade e da trajetória de vida de cada indivíduo”, explica a nutricionista clínica da UPA Jurunas, Mayla Monteiro.
Por meio de cartas ilustradas e perguntas direcionadas, os participantes foram convidados a compartilhar lembranças relacionadas aos sabores, aromas, refeições em família e momentos marcantes de suas vidas por meio da alimentação.
Os acompanhantes também participaram da dinâmica, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos afetivos e para a construção de um ambiente mais acolhedor e humanizado.
Entre os participantes, Melissa Silva, 22 anos, que está acompanhando sua tia no Postos de Observação Feminina, destaca que a iniciativa humanizada fez a diferença no atendimento.
“Foi muito especial. Esse momento trouxe alegria e deixou o dia mais leve. A minha tia está há alguns dias em observação e ficar em um ambiente de saúde por um longo período, é estressante. E isso faz toda a diferença, ter uma atividade que preencha o nosso tempo aqui dentro. Gostei da dinâmica e relembrei os momentos em família. As comidas que a minha mãe preparava”, relembra a acompanhante.

Segundo a nutricionista, Mayla Monteiro, a memória gustativa é a capacidade que o ser humano possui de guardar, no corpo e na mente, experiências vivenciadas por meio dos sabores. Não se trata apenas de recordar o gosto de um alimento, mas de reativar lembranças relacionadas aos cheiros, ambientes, pessoas, texturas e sentimentos presentes naquele momento.
A profissional destaca que pacientes submetidos a longos períodos de internação ou observação, em instituições de saúde, podem apresentar redução dos estímulos relacionados às suas memórias afetivas e sensoriais. “Nesse contexto, atividades como essa, representam uma importante estratégia não farmacológica de humanização, promovendo acolhimento, conforto emocional e contribuindo para uma assistência mais integral, qualificada e centrada na pessoa”.
Além do momento de interação e resgate afetivo, a ação contou com uma atividade educativa voltada à promoção da segurança alimentar. Ao final, foram entregues copos personalizados com orientações sobre a importância da hidratação adequada, incentivando hábitos saudáveis que podem ser mantidos não apenas durante a permanência na unidade, como também, após a alta médica, fortalecendo o autocuidado e a educação em saúde.

Para o diretor da UPA Jurunas, Marcus Luz, a iniciativa reforça que humanizar é reconhecer a singularidade de cada indivíduo, valorizando suas experiências, emoções, memórias e necessidades durante o processo de cuidado.
“Porque alimentar também é acolher. E, no centro de todo cuidado, existe uma pessoa, sua história e suas memórias. A unidade valoriza um atendimento humanizado em saúde pública”.